Lucchesi
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Cada um no seu quadrante

Os dois dias mais importantes na vida de um homem são o dia em que ele nasce e o dia em que ele descobre porquê.

Entre tantas opções de carreira, por que você faz o que faz? Você está fazendo o que gostaria de fazer? O que você pode fazer sobre isso?

Imagem obtida de Pixabay.

Este artigo é uma reflexão sobre escolhas profissionais.

Minha análise é simplista, estereotipada e até exagerada, mas não a ignore.

No final, ela pode revelar coisas sobre você que nem mesmo você sabia e te dar uma nova visão sobre o seu futuro profissional.

Os 4 perfis profissionais segundo Robert Kyosaki

No livro “O Negócio do Século XXI”, Robert Kyosaki diz que existem 4 caminhos profissionais que você pode seguir: funcionário, autônomo, empresário e investidor.

Ele então divide esses perfis em quadrantes e descreve as características de cada um.

Funcionário, Autônomo, Empresário e Investidor.

Olhando para esses quadrantes, talvez você ache que uns são indiscutivelmente melhores do que outros. Se você pensou isso, o Robert concorda com você. Pode pular para Empresário ou Investidor.

Quem é você no jogo dos quadrantes?

Os quadrantes não são sobre dinheiro. Você pode ficar rico em qualquer um deles, seja funcionário, autônomo, empresário ou investidor.

O que está em jogo é algo muito mais importante do que dinheiro.

Estou falando do seu futuro profissional.

Eis as 3 coisas que definem seu futuro profissional:

  1. O quadrante que você está hoje.
  2. O quadrante que você gostaria de estar.
  3. As escolhas que você fará daqui pra frente.

Mas antes de refletir sobre essas questões, vamos primeiro entender cada um dos 4 perfis descritos por Kyosaki.

Funcionário

O funcionário é aquele que trabalha para alguém. Normalmente, ele recebe um salário fixo mensal para executar certas atividades 8h por dia, 5 vezes por semana. Funcionários têm chefes — aquela figura a quem eles devem dar satisfação.

Este é o quadrante com o maior número de pessoas insatisfeitas. Curiosamente, este também é o quadrante em que a maioria das pessoas está ou quer estar (mesmo que não saibam ainda).

Apesar do chefe, que é o motivo #1 de reclamação, funcionários de forma geral se preocupam bem menos que os outros perfis (destaque para os concursados), têm uma rotina de trabalho estável e outros benefícios que variam de organização para organização.

O funcionário bem sucedido é aquele que tirava nota 7,0 e 8,0 no colégio. São pessoas que não têm a ambição de serem as melhores do mundo em alguma coisa. Para elas, ser o melhor é ser bom o suficiente no que precisar. Estar acima da média é o que elas buscam.

Pessoas com este perfil não questionam muito e se arriscam pouco, mas são inteligentes para conquistar boas oportunidades, têm facilidade para trabalhar em equipe e são diligentes no dia-a-dia de trabalho.

Tipicamente, esse perfil procura um bom cargo em uma grande empresa ou a estabilidade do concurso público.

Autônomo

O autônomo ou freelancer se sente o oposto do empregado, mas eles têm mais em comum do que parece. Inclusive, muitas vezes o autônomo é apenas um funcionário rebelde que decidiu ser o próprio chefe. Ele é aquele que se vê como o dono do próprio negócio.

Esses eram os alunos 9,0 e 10,0. Acostumados a serem os “destaques da turma”, eles têm muita dificuldade para delegar e não sabem trabalhar em equipe, são controladores e insubordinados, principalmente quando se acham melhores do que seus chefes.

Na verdade, o autônomo continua tendo chefe, só que ao invés de um, ele tem vários, e dos tipos mais exigentes. Os chefes do autônomo são os clientes que compram os produtos ou serviços que ele oferece.

Por outro lado, o autônomo tem mais liberdade que o funcionário. Se quiser, ele pode rejeitar um projeto ou cliente. Pode também escolher quando, como e onde trabalhar. Em poucas palavras, ele tem total autonomia para decidir sobre sua vida profissional, pois não depende de outras pessoas para fazer o trabalho.

O grande desafio para o autônomo é que ele é o negócio. Se ele adoecer ou viajar, o dinheiro para de entrar. Além disso, ele tem que cuidar de todas as áreas do negócio: produção, vendas, marketing, etc. Ah, e pode esquecer a rotina bonitinha de 40h semanais do funcionário. Em geral, o autônomo é o perfil que trabalha mais horas por dia.

Empresário

Na faculdade eu só tirava 5,0 e 6,0. Meu amigo, só 9,0 e 10,0. Meu amigo está de parabéns, porque hoje ele trabalha na Microsoft.

Bill Gates

Você viu de quem é essa frase, né? Bill Gates, o próprio.

O empresário era o aluno 5,0 e 6,0, que tirava notas ruins, às vezes ficava de recuperação, mas que era o popular da turma. Aquele espertinho que bagunçava a aula toda, mas que sempre dava um jeito de cair no melhor grupo na hora do trabalho ou da prova em dupla.

Diferentemente do autônomo, que gastava suas energias para ser o melhor da equipe, o empresário procurava a melhor equipe. Ele aprendeu desde cedo a arte de se relacionar e é hábil em encontrar as pessoas certas para os objetivos certos.

Empresários tem uma facilidade incrível para delegar e engajar pessoas diferentes em torno do mesmo propósito. Assim, criam organizações que geram renda para eles.

Mas nem tudo são flores na vida do empresário. A responsabilidade que ele carrega é a maior dos 4 perfis. Uma decisão errada e várias famílias, incluindo a dele, podem ficar sem ter o que comer.

Além disso, em um país como o Brasil onde 6 a cada 10 empresas fecha as portas antes de completar 5 anos, empreender é um ato praticamente heróico.

Investidor

O investidor é o cara que está sempre em busca da próxima grande oportunidade. Ele é um visionário que ganha dinheiro apostando seus recursos em empresários, projetos ou outros investimentos.

Em geral, investidores estão mais interessados no resultado do que no processo. Por isso, na maioria das vezes são pessoas pouco apegadas à natureza do negócio. Muitas vezes, o investidor é ele mesmo um empresário que decidiu diversificar suas fontes de receita.

O bom investidor é aquele que tem coragem para investir em novas ideias, sensibilidade para antecipar o futuro e inteligência emocional para lidar com riscos.

De todos os perfis, o investidor é o que apresenta as maiores incertezas. Essas incertezas podem gerar expectativas não atendidas. Se você é do tipo que precisa de garantias, você pode facilmente se tornar um investidor frustrado e infeliz.

Se enquadrou?

E aí, em qual quadrante você está e para qual quadrante você está indo?

Pare agora e reflita sobre as escolhas profissionais que você tem feito.

Suas respostas às oportunidades que aparecem todos os dias têm te levado para mais perto ou mais longe dos seus objetivos?

O que você pode fazer hoje para mudar essa situação?